A vivência afetivo-sexual de mulheres transgenitalizadas

Tese de doutorado de Maria Jaqueline Coelho Pinto
Instituição: Universidade de São Paulo

Resumo:

A transexualidade é uma forma de manifestação da sexualidade humana, caracterizada por um forte desejo de correção cirúrgica. No cenário atual, indivíduos que se sentem pertencentes a uma identidade de gênero oposta ao seu sexo biológico, aos poucos têm sido ouvidos em suas reivindicações. Essa problemática é antiga, o que o torna atual é a possibilidade legal e ética de mudar de sexo. Partindo dessa premissa, a presente pesquisa, realizada com dez transexuais MtF já submetidas à cirurgia de transgenitalização no Hospital de Base de São José do Rio Preto SP/FAMERP, objetiva a compreensão dos sentido e significado atribuído por elas à vivência afetivo-sexual após a cirurgia de transgenitalização.

Os depoimentos foram obtidos por meio de uma entrevista mediada pela seguinte questão: Como está sendo sua vivência afetivo-sexual após a cirurgia de transgenitalização? Para análise, utilizamos a metodologia qualitativa viabilizada pela suspensão fenomenológica, que consiste na leitura e releitura dos depoimentos, discriminação das unidades de significados, elaboração de categorias e identificação das convergências e divergências nos discursos. Para compreensão dos depoimentos buscamos o auxílio de perspectivas teóricas biológicas, psicológicas e sócioculturais.

Na análise dos depoimentos foram destacadas as categorias de significados: 1) descoberta do corpo transgenitalizado; 2) temporalidade da relação sexual após a cirurgia; 3) temor da revelação; 4) vivência afetivo-sexual; 5) papel social de gênero; 6) a temporalidade da mulher transgenitalizada. Como resultados, encontramos o reconhecimento de uma imagem em harmonia com seus corpos, integrando sua identidade biológica à psicológica. A ansiedade e a insegurança entre o desejo e o medo do novo surgem no início das atividades sexuais após a cirurgia.

O temor da revelação está presente e representado pelo medo da não aceitação social e a ocorrência de agressões psicológicas ou físicas decorrentes do seu estigma. Em sua vivência afetivo-sexual, emerge a satisfação pessoal pela nova possibilidade de vida. Seus relacionamentos apresentam componentes do estigma e dos estereótipos a ele associados. A expressão do estigma aparece no papel social de gênero. Dentro da temporalidade surge a satisfação com o corpo e o novo papel de gênero e, a busca por relacionamentos afetivo-sexuais. A cirurgia de transgenitalização constitui um grande passo na temática da transexualidade, possibilitando à mulher transgenitalizada a aquisição de uma identidade integral compatível com o seu psiquismo.

A partir dela, emergiram novas sensações, sentimentos e prazeres, possibilitando relações afetivo-sexuais e sociais integradas a sua existência. No cenário atual, a transgenitalização passou a ser compreendida, por essas mulheres como um dos elementos necessários, embora não o único, para o seu reconhecimento e inserção social no mundo contemporâneo.

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