Nomes e diferenças: uma etnografia dos usos das categorias travesti e transexual

Dissertação de mestrado de Bruno Cesar Barbosa
Instituição: Universidade de São Paulo

Resumo:

O objetivo deste trabalho é discutir os usos das categorias travesti e transexual, referidas a identidades sexuais e de gênero, com base em observações e entrevistas realizadas entre 2008 e 2009 com participantes das reuniões denominadas Terças Trans, que ocorrem quinzenalmente no Centro de Referência em Diversidade (CRD) um equipamento social direcionado para LGBT na cidade de São Paulo. Procurei explorar duas frentes de análise.

A primeira concentrou-se nos resultados de observação das interações e debates entre os participantes, durante as reuniões, especialmente no que diz respeito ao modo como se elaboram as diferenças entre travestis e transexuais. A segunda concentrou-se nas narrativas de história de vida de três participantes, que refletem sobre suas vivências de sexualidade e gênero. Embora as convenções do discurso médico sejam referências centrais para a definição de corpos, subjetividades e identidades das pessoas pesquisadas, foi possível observar também uma variedade de reelaborações e deslocamentos de sentidos nas trajetórias biográficas e na produção das identidades, que têm relação direta com as situações sociais vividas no presente e com os variados contextos de interlocução.

Procuro desenvolver o argumento de que travesti e transexual são categorias performativas, e que tal performatividade não se esgota apenas em enunciados de gênero e sexualidade, mas também podem ser expressas por meio de articulações contingentes que remetem a diferenças de classe, cor/raça e geração.

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Sociabilidades de jovens homossexuais nas ruas de São Paulo: deslocamentos e fronteiras

Dissertação de mestrado de Hamilton Harley de Carvalho-Silva
Instituição: Universidade de São Paulo

Resumo:

A pesquisa de mestrado na área de Sociologia da Educação teve como objetivo principal esboçar um panorama sobre elementos do cotidiano das relações sociais que permeiam a questão da homossexualidade masculina de jovens urbanos, moradores da cidade de São Paulo. Possíveis facilidades e dificuldades enfrentadas pelos sujeitos, percursos realizados, limites, estratégias, formas de inserção social e traços de sociabilidade construídos nos movimentos de circulação pela cidade de São Paulo foram investigados e contemplados.

Conversas dirigidas, observação participante e diários de bordo produzidos pelos informantes compuseram os métodos de investigação empregados. Quatro entrevistas em profundidade, três diários de bordo e os trabalhos de observação permitiram a composição de análises e narrativas sobre o cotidiano de jovens homossexuais que enfrentam as fronteiras da sexualidade e as barreiras econômicas na constituição de relações sociais em meio urbano.

A experiência urbana vivida por estes jovens colaborou para construção de modulações nas identidades (constituição de personalidades) dos sujeitos como estratégias de inserção nos grupos sociais a partir de mobilizações particulares.

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Homoparentalidade: estudo psicanalítico sobre papéis e funções parentais em casais homossexuais com filhos

Dissertação de mestrado de Ricardo de Souza Vieira
Instituição: Universidade de São Paulo

Resumo:

Mudanças ocorreram na composição familiar, surgindo as famílias homoparentais, ou seja, casais de pessoas de mesmo sexo que criam filhos. Diante dessa nova realidade cada vez mais visível, tornam-se necessárias a revisão e reconsideração dos conceitos de maternidade e paternidade. Dessa forma, o presente trabalho visa o estudo da homoparentalidade, examinando de que forma os papéis e funções parentais vêm sendo partilhados e regulados pelos membros do casal de pessoas de mesmo sexo que criam filhos.

Para tal, foi utilizado o referencial teórico da Psicanálise em Freud e Lacan. Além disso, buscou-se aporte em estudos socioantropológicos da sexualidade, a partir da articulação teórica dos conceitos de homossexualidade, família tradicional e homoparental, função materna e paterna do ponto de vista psicanalítico e sua diferença em relação aos papéis (sociais) parentais. Papel e função parental foram as categorias eleitas para análise de fragmentos de discursos de homossexuais com filhos, colhidos em um estudo socioantropológico.

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Mudanças na vida sexual após o sorodiagnóstico para o HIV: uma comparação entre homens e mulheres

Dissertação de mestrado de Lígia Polistchuck.
Instituição: Universidade de São Paulo.

Resumo:

Após a disponibilização dos antirretrovirais (ARV), a sexualidade dos portadores de HIV/Aids passou a ser mais frequentemente estudada, especialmente com enfoque na prevenção e no risco. Objetivos: Descrever a vida sexual de portadores de HIV/Aids e identificar as associações da piora na vida sexual após o diagnóstico de HIV com variáveis relativas às características socioeconômicas, à vida sexual, ao uso do ARV e dos serviços de saúde.

Métodos: Os dados utilizados procedem de dois estudos transversais com 250 homens e 729 mulheres portadores de HIV/Aids (amostras consecutivas), realizados em dois centros de referência para o HIV/Aids da cidade de São Paulo, entre setembro de 1999 e fevereiro de 2002.A resposta para a questão sobre a mudança na vida sexual, após o diagnóstico de HIV/Aids de cada questionário, foi avaliada e categorizada como piora ou não. A comparação foi realizada entre os grupos de homens e mulheres em relação à piora na vida sexual após o diagnóstico de HIV. Fatores associados foram estimados por regressão múltipla de Poisson.

Os testes foram conduzidos em nível de significância de 5 por cento. Resultados: Os homens relataram mais mudança negativa que as mulheres 59 por cento e 41 por cento, respectivamente (p<0,001). Para mulheres, os fatores associados às mudanças negativas na vida sexual, após o diagnóstico, foram: passar por dor ou desconforto físico no atendimento recebido no serviço de saúde, não ser atendida por enfermeiro, dificuldade de falar com ginecologista sobre a vida sexual, desejo de ter filhos/estar grávida, ausência de desejo de ter filhos e abstinência sexual. Fatores negativamente associados foram: renda entre 2 e 4 salários mínimos, via sexual de infecção para o HIV.

Para homens, os fatores associados a mudanças negativas na vida sexual após o diagnóstico foram: desemprego e facilidade moderada de falar com psicólogo sobre a vida sexual. Fatores negativamente associados foram: número de parcerias sexuais durante a vida (pelo menos 6) e uso prévio de maconha.

Conclusões: Os resultados parecem apontar para uma vulnerabilidade programática elevada das mulheres portadoras em relação ao desfecho, bem como vulnerabilidades individuais e sociais que acompanham roteiros de gênero específicos

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A mídia e as mulheres: feminismos, representação e discurso

Dissertação de mestrado de Maria de Fátima Cabral Barroso de Oliveira.
Instituição: Universidade de São Paulo.

Resumo:

Esta dissertação tem como objetivo a análise das representações das mulheres em jornais canadenses na década de 1990. A imprensa escrita tem grande influência na criação ou na perpetuação de representações e/ou imagens de categorias sociais.

Buscamos examinar os discursos construídos sobre a “categoria” mulher, os seus estereótipos e as posições de sujeito assumidas que, por meo de um discurso representacional, ora se apresenta como mulher-mãe, ora como mulher-erótica, ora como mulher-vítima. A hipótese central é a de que a mídia, através de um discurso que celebra a diversidade sexual, na verdade, legitima e marginaliza identidades.

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Relações de gênero, diversidade sexual e políticas públicas de educação: uma análise do programa Brasil sem homofobia

Dissertação de mestrado de Marcelo Daniliauskas
Instituição: Universidade de São Paulo

Resumo:

Esta dissertação de mestrado tematiza a agenda, planos, programas e políticas públicas que visam superar a desigualdade relacionada às pessoas LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) por meio da educação no âmbito do governo federal. A pesquisa teve por objetivo colaborar para o conhecimento dos modos como tem sido problematizada a questão da sexualidade, mais especificamente a temática LGBT, na agenda de educação, bem como das demandas apontados e das políticas educacionais desenvolvidas para dar conta dos mesmos. Dentre os planos e programas analisados estão: os Programas Nacionais de Direitos Humanos, os Parâmetros Curriculares Nacionais e, por fim, o Programa Brasil Sem Homofobia. O foco estruturante desta pesquisa é o Brasil Sem Homofobia: Programa de Combate à Violência e Promoção da Cidadania GLBT.

Este Programa foi escolhido por ser um importante marco do reconhecimento das pessoas LGBT enquanto sujeitos de direitos, assim como por introduzir as políticas sobre diversidade sexual e identidade de gênero na educação. O referencial analítico-teóricos desta pesquisa baseia-se especialmente na trajetória de políticas educacionais, com base em Stephen Ball, e na justiça social, a partir das contribuições de Nancy Fraser. Os procedimentos metodológicos empregados foram a análise documental dos planos e programas citados e entrevistas semi-estruturadas com pessoas ligadas ao Movimento LGBT e gestores/as e técnicos/as do governo, que participaram diretamente do processo de criação e/ou implementação do Brasil Sem Homofobia.

Este trabalho analisa o BSH e as políticas educacionais de diversidade sexual e identidade de gênero executadas no período de 2005 a 2010, após o lançamento do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, que se torna o novo documento norteador das políticas a serem implementadas pelos ministérios e secretarias do governo federal. Nesta trajetória percebeu-se que pessoas LGBT passam de “temas polêmicos” a “sujeitos de direitos” nas políticas públicas de direitos humanos e de educação, bem como a violência física enquanto justificativa de políticas vai cedendo espaço para a superação das desigualdades.

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Masculino e feminino: a primeira vez. A análise de gênero sobre a sexualidade na adolescência

Dissertação de mestrado de Silmara Aparecida Conchão
Instituição: Universidade de São Paulo 

Resumo:

Esta pesquisa identificou como as relações de gênero modulam a sexualidade dos (as) adolescentes atualmente, e o que eles (as) contam sobre suas vivências no contexto social no qual estão inseridos. São adolescentes de 18 e 19 anos, que frequentam o ensino médio noturno de uma escola pública localizada no centro da cidade de Santo André (SP Brasil). Busquei articular as questões de gênero e sexualidade para obter uma melhor compreensão do contexto a partir dos quais os (as) adolescentes elaboram sua visão de mundo. Compreender melhor em que circunstâncias tomaram certas atitudes e, longe de verificar sob um ponto de vista especulativo, a idéia foi observar na interação entre fatos e explicações, os valores e as formas de se relacionarem sexualmente.

Como estratégia desenvolvi a escuta a partir da narrativa sobre minha experiência no processo de iniciação sexual na fase adolescente, em meados da década de 1980, o que serviu como ponto de partida para a mediação do diálogo nos grupos focais. Portanto, a fala dos (as) adolescentes nessa pesquisa qualitativa, constituiu o objeto central de interesse. Foi possível verificar que falar de sexualidade está se tornando menos constrangedor, mas faltam diálogos mais abertos, sem hipocrisia, e que questionem as imposições das igrejas. A sociedade de modo geral, não reconhece que a sexualidade é parte do desenvolvimento e das relações entre os (as) adolescentes. Os conceitos de amor, sentimentos, emoções, intimidade e desejo não se incluem nas intervenções dos serviços de saúde e educação.

A realidade se revelou e nela verificam-se novos desafios, bem como velhos padrões socioculturais. Adolescentes não são reconhecidos socialmente como pessoas sexuadas, livres e autônomas, o que os submetem às situações de constrangimento e vulnerabilidade. É preciso superar a moralidade que impede toda a rede social de adotar uma ampla e aberta discussão sobre assuntos que envolvem a sexualidade. Só assim é possível garantir os direitos sexuais e reprodutivos na adolescência, que implica a decisão livre e com responsabilidade, sobre a reprodução, o acesso à informação adequada e o direito de exercer sem discriminação ou coerção a sexualidade.

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