Homossexualidade, preconceito e intolerância: análise semiótica de depoimentos

Tese de doutorado de Edith Lopes Modesto dos Santos
Instituição: Universidade de São Paulo.
Prêmio Tese Destaque USP 

Resumo:

Esta tese é sobre o preconceito e intolerância contra a homossexualidade, a partir da análise semiótica de depoimentos de mães heterossexuais e de filhos homossexuais, brasileiros. O trabalho divide-se em introdução, quatro capítulos principais, conclusão, bibliografia e anexos. Na introdução, delineou-se o contexto externo em que se desenvolve a dificuldade de aceitação das mães heterossexuais a seus filhos homossexuais e um apanhado geral do trabalho.

O contexto interno foi considerado como o resultado do cruzamento comparativo de centenas de depoimentos analisados, de mães e filhos. Utilizou-se, como embasamento teórico, a semiótica de tradição francesa e seu instrumental de análise e a tese divide-se como segue: O primeiro capítulo traz a metodologia que foi utilizada e os objetivos do trabalho. O principal objetivo foi analisar como são construídos os discursos de rejeição e/ou os discursos de aceitação da homossexualidade de filhos por suas mães, heterossexuais. Em contrapartida, foram analisados os discursos dos filhos.

O segundo capítulo tratou do preconceito, de mães e dos filhos, anterior à descoberta da homossexualidade. No terceiro e quarto capítulos da tese, relacionou-se o percurso discursivo passional de rejeição/aceitação das mães à sua influência no percurso passional de auto-aceitação dos filhos e levantou-se os principais tipos de paixões e ações apaixonadas que esses discursos manifestam. Examinou-se também a organização discursivo-passional e da enunciação de milhares de depoimentos, relacionando texto e contexto via enunciação.

A partir disso, foi feito o levantamento de semelhanças e diferenças qualitativas, entre os percursos de aceitação das mães a seus filhos homossexuais, na última década (2001 a 2010).

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Rompendo a mordaça: representações de professores e professoras do ensino médio sobre homossexualidade

Tese de doutorado de Jonas Alves da Silva Junior
Instituição: Universidade de São Paulo

Resumo:

A complexidade da sexualidade humana, bem como a admissão da existência de uma diversidade sexual foram (e ainda são) rechaçadas na escola, ocasionando não raro a discriminação e a exclusão de alunos/as que não se enquadram nos padrões heterossexistas prestigiados socialmente. Por essa razão, nesta pesquisa, investigam-se as representações que professores/as do Ensino Médio de duas escolas públicas paulistanas têm sobre homossexualidade e diversidade sexual no cotidiano escolar, buscando-se um maior aprofundamento teórico e interpretativo. Para chegar ao objetivo proposto, a pesquisa de campo foi realizada com base em um questionário semiestruturado, com questões abertas e fechadas.

Como referencial teórico, utilizaram-se autores da área dos Estudos Culturais (teoria queer) e dos teóricos da Representação Social. Os dados quantitativos da pesquisa foram apresentados em forma de gráfico comparativo (entre as duas escolas), e os dados qualitativos foram divididos em três blocos de interpretação (representações, formação de professores e diversidade sexual na escola) e analisados em três categorias de análise, com base nas falas dos/as professores/as: 1) representações da homossexualidade sob viés de preconceito evidente; 2) representações da homossexualidade sob viés de preconceito latente; 3) representações da homossexualidade na perspectiva democrática e inclusiva.

Os resultados obtidos são de grande relevância para a Educação Sexual, bem como para a cultura do respeito à diversidade, pois permitem detectar as diferentes formas com que o preconceito a cidadãos não heterossexuais instalam-se na escola. Além disso, os resultados evidenciam que a conexão entre discriminação e homossexualidade funda-se em uma questão cultural, enraizada em dogmas, crenças e representações construídas socialmente para conservar a hegemonia da heterossexualidade e, por conseguinte, subalternizar e inferiorizar as orientações sexuais consideradas não-padrão.

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