Palestra: “Sexualidade, Ciência e Profissão na Argentina” – UERJ

O cientista social e professor da Universidade de Buenos Aires, Daniel Jones, apresenta a palestra “Sexualidade, Ciência e Profissão na Argentina”. O pesquisador abordará como se configura atualmente o campo da sexologia na Argentina, dividido em duas vertentes – a sexologia clínica e a educação sexual – e o processo sócio histórico que possibilitou o desenvolvimento do campo naquele país. O evento será realizado no dia 16 de março, às 10h no Instituto de Medicina Social (IMS/UERJ), localizado no 7º andar – bloco E – Sala 7.003.

Daniel Jones é (Universidad de Buenos Aires, doutor em Ciências Sociais pela UBA e membro do Grupo de Estudios sobre Sexualidades – GES-IIGG-UBA). Na ocasião será discutido o desenvolvimento comparativo da sexologia na Argentina e no Brasil. Organização: CLAM. Coordenação: Jane Russo.

Fonte: IMS-UERJ e Pagu.

Nomes e diferenças: uma etnografia dos usos das categorias travesti e transexual

Dissertação de mestrado de Bruno Cesar Barbosa
Instituição: Universidade de São Paulo

Resumo:

O objetivo deste trabalho é discutir os usos das categorias travesti e transexual, referidas a identidades sexuais e de gênero, com base em observações e entrevistas realizadas entre 2008 e 2009 com participantes das reuniões denominadas Terças Trans, que ocorrem quinzenalmente no Centro de Referência em Diversidade (CRD) um equipamento social direcionado para LGBT na cidade de São Paulo. Procurei explorar duas frentes de análise.

A primeira concentrou-se nos resultados de observação das interações e debates entre os participantes, durante as reuniões, especialmente no que diz respeito ao modo como se elaboram as diferenças entre travestis e transexuais. A segunda concentrou-se nas narrativas de história de vida de três participantes, que refletem sobre suas vivências de sexualidade e gênero. Embora as convenções do discurso médico sejam referências centrais para a definição de corpos, subjetividades e identidades das pessoas pesquisadas, foi possível observar também uma variedade de reelaborações e deslocamentos de sentidos nas trajetórias biográficas e na produção das identidades, que têm relação direta com as situações sociais vividas no presente e com os variados contextos de interlocução.

Procuro desenvolver o argumento de que travesti e transexual são categorias performativas, e que tal performatividade não se esgota apenas em enunciados de gênero e sexualidade, mas também podem ser expressas por meio de articulações contingentes que remetem a diferenças de classe, cor/raça e geração.

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Inquéritos policiais e processos de crimes sexuais: estratégias de gênero e representações da sexualidade

Tese de Doutorado de Rafael De Tilio
Instituição: Universidade de São Paulo

Resumo:

Essa tese teve como objetivo identificar, ordenar e entender quais eram as estratégias dos relatos (os argumentos e suas intenções) e as representações da sexualidade que compunham os autos de crimes sexuais queixados na comarca de Ribeirão Preto entre as décadas de 1870/1970. Para entendê-las alguns temas que veiculavam valores considerados ideais e normativos das relações de gênero foram apresentados resumíveis na vivência da heterossexualidade adulta no casamento.

A um banco de dados de 101 autos de crimes sexuais datados entre 1871/1941 (Código Penal 1890) foram comparadas informações de outros 220 autos datados entre 1942/1979 (Código Penal 1940), ambos pertencentes ao 1º, 2° e 4° Ofícios da comarca ribeirão-pretana e sob responsabilidade do Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto. Estes dois conjuntos de autos foram comparados quanto à caracterização (1) dos casos, (2) dos acusados/vítimas e (3) das estratégias de relato e representações da sexualidade.

A análise recorreu ao cálculo de frequência simples para 1 e 2, e à busca de regularidades e cortes temáticos nos depoimentos dos autos para 3. Diante disso, o argumento defendido é que mesmo havendo mudanças nas estratégias, nos casos e nos participantes, as representações da sexualidade continuaram enfatizando aspectos tradicionais das relações de gênero.

Assim, mesmo se na década de 1940 a maioria das queixas muda da tentativa de efetivar o casamento (combinado ou não com o acusado, alegando a vítima que perder a virgindade configurava crime passível de reparação pelo matrimônio) para a tentativa de condenar o acusado (vitimação sexual de crianças, parentes, mulheres e homens de forma não consentida e com uso de força física), o vitimado sempre diz ser moralmente idôneo (mulher e homem honestos e de boa conduta enganados ou violentados a contragosto; criança inocente corrompida pelo contato precoce e violento com a sexualidade), e o acusado se considera erroneamente imputado (ethos masculino: o parceiro já estava corrompido ou se entregou livremente às relações sexuais; o acusado estava acometido de doença ou desvio que o impedia de se portar adequadamente).

Dessa forma os participantes para atingirem seus objetivos enfatizam nos relatos aspectos tradicionais de gênero e sexualidade, pois eram estes os demandados pelos discursos e codex jurídico (que são mais resistentes, mas não indiferentes, às mudanças sociais).

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Mesa redonda: “Espacialidades e sexualidades: experiências luso-brasileiras de pesquisa”

O Núcleos de Estudos de Gênero Pagu realizará no dia 21 de novembro uma mesa redonda cujo tema é “Espacialidades e sexualidades: experiências luso-brasileiras de pesquisa”. O evento será realizado na Sala da Congregação, no prédio da Pós-Graduação, 2º andar, a partir das 14h. Confira a programação:

Expositores: Regina Facchini, Isadora Lins França, Bruno Puccinelli e Paulo Jorge Vieira
Coordenação: Maria Conceição da Costa (Pagu/Unicamp)
Debatedora: María Elvira Díaz-Benítez (Pagu/Unicamp)

Expositores:
Mulheres, (homo)sexualidades e produção da diferença na cidade de São Paulo
Regina Facchini
(Pagu/Unicamp)

Consumindo lugares, consumindo nos lugares : homossexualidade, consumo e produção de subjetividades na cidade de São Paulo
Isadora Lins França
(Pagu/Unicamp)

Gueto gay em São Paulo? Moradia, lazer e apropriação do espaço na Rua Frei Caneca
Bruno Puccinelli
(Unifesp/São Paulo)

Os jardins, a esquina e o centro comercial – Espacialidades Lésbicas e Gays e Heterotopias de Pertença em Lisboa
Paulo Jorge Vieira
(Centro de Estudos Geográficos/Universidade de Lisboa)

Organização:
Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu / Isadora Lins França / Paulo Jorge Vieira
Promoção:
Curso de Doutorado em Ciências Sociais / Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu

Fonte: Pagu

A vivência afetivo-sexual de mulheres transgenitalizadas

Tese de doutorado de Maria Jaqueline Coelho Pinto
Instituição: Universidade de São Paulo

Resumo:

A transexualidade é uma forma de manifestação da sexualidade humana, caracterizada por um forte desejo de correção cirúrgica. No cenário atual, indivíduos que se sentem pertencentes a uma identidade de gênero oposta ao seu sexo biológico, aos poucos têm sido ouvidos em suas reivindicações. Essa problemática é antiga, o que o torna atual é a possibilidade legal e ética de mudar de sexo. Partindo dessa premissa, a presente pesquisa, realizada com dez transexuais MtF já submetidas à cirurgia de transgenitalização no Hospital de Base de São José do Rio Preto SP/FAMERP, objetiva a compreensão dos sentido e significado atribuído por elas à vivência afetivo-sexual após a cirurgia de transgenitalização.

Os depoimentos foram obtidos por meio de uma entrevista mediada pela seguinte questão: Como está sendo sua vivência afetivo-sexual após a cirurgia de transgenitalização? Para análise, utilizamos a metodologia qualitativa viabilizada pela suspensão fenomenológica, que consiste na leitura e releitura dos depoimentos, discriminação das unidades de significados, elaboração de categorias e identificação das convergências e divergências nos discursos. Para compreensão dos depoimentos buscamos o auxílio de perspectivas teóricas biológicas, psicológicas e sócioculturais.

Na análise dos depoimentos foram destacadas as categorias de significados: 1) descoberta do corpo transgenitalizado; 2) temporalidade da relação sexual após a cirurgia; 3) temor da revelação; 4) vivência afetivo-sexual; 5) papel social de gênero; 6) a temporalidade da mulher transgenitalizada. Como resultados, encontramos o reconhecimento de uma imagem em harmonia com seus corpos, integrando sua identidade biológica à psicológica. A ansiedade e a insegurança entre o desejo e o medo do novo surgem no início das atividades sexuais após a cirurgia.

O temor da revelação está presente e representado pelo medo da não aceitação social e a ocorrência de agressões psicológicas ou físicas decorrentes do seu estigma. Em sua vivência afetivo-sexual, emerge a satisfação pessoal pela nova possibilidade de vida. Seus relacionamentos apresentam componentes do estigma e dos estereótipos a ele associados. A expressão do estigma aparece no papel social de gênero. Dentro da temporalidade surge a satisfação com o corpo e o novo papel de gênero e, a busca por relacionamentos afetivo-sexuais. A cirurgia de transgenitalização constitui um grande passo na temática da transexualidade, possibilitando à mulher transgenitalizada a aquisição de uma identidade integral compatível com o seu psiquismo.

A partir dela, emergiram novas sensações, sentimentos e prazeres, possibilitando relações afetivo-sexuais e sociais integradas a sua existência. No cenário atual, a transgenitalização passou a ser compreendida, por essas mulheres como um dos elementos necessários, embora não o único, para o seu reconhecimento e inserção social no mundo contemporâneo.

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Mudanças na vida sexual após o sorodiagnóstico para o HIV: uma comparação entre homens e mulheres

Dissertação de mestrado de Lígia Polistchuck.
Instituição: Universidade de São Paulo.

Resumo:

Após a disponibilização dos antirretrovirais (ARV), a sexualidade dos portadores de HIV/Aids passou a ser mais frequentemente estudada, especialmente com enfoque na prevenção e no risco. Objetivos: Descrever a vida sexual de portadores de HIV/Aids e identificar as associações da piora na vida sexual após o diagnóstico de HIV com variáveis relativas às características socioeconômicas, à vida sexual, ao uso do ARV e dos serviços de saúde.

Métodos: Os dados utilizados procedem de dois estudos transversais com 250 homens e 729 mulheres portadores de HIV/Aids (amostras consecutivas), realizados em dois centros de referência para o HIV/Aids da cidade de São Paulo, entre setembro de 1999 e fevereiro de 2002.A resposta para a questão sobre a mudança na vida sexual, após o diagnóstico de HIV/Aids de cada questionário, foi avaliada e categorizada como piora ou não. A comparação foi realizada entre os grupos de homens e mulheres em relação à piora na vida sexual após o diagnóstico de HIV. Fatores associados foram estimados por regressão múltipla de Poisson.

Os testes foram conduzidos em nível de significância de 5 por cento. Resultados: Os homens relataram mais mudança negativa que as mulheres 59 por cento e 41 por cento, respectivamente (p<0,001). Para mulheres, os fatores associados às mudanças negativas na vida sexual, após o diagnóstico, foram: passar por dor ou desconforto físico no atendimento recebido no serviço de saúde, não ser atendida por enfermeiro, dificuldade de falar com ginecologista sobre a vida sexual, desejo de ter filhos/estar grávida, ausência de desejo de ter filhos e abstinência sexual. Fatores negativamente associados foram: renda entre 2 e 4 salários mínimos, via sexual de infecção para o HIV.

Para homens, os fatores associados a mudanças negativas na vida sexual após o diagnóstico foram: desemprego e facilidade moderada de falar com psicólogo sobre a vida sexual. Fatores negativamente associados foram: número de parcerias sexuais durante a vida (pelo menos 6) e uso prévio de maconha.

Conclusões: Os resultados parecem apontar para uma vulnerabilidade programática elevada das mulheres portadoras em relação ao desfecho, bem como vulnerabilidades individuais e sociais que acompanham roteiros de gênero específicos

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Masculino e feminino: a primeira vez. A análise de gênero sobre a sexualidade na adolescência

Dissertação de mestrado de Silmara Aparecida Conchão
Instituição: Universidade de São Paulo 

Resumo:

Esta pesquisa identificou como as relações de gênero modulam a sexualidade dos (as) adolescentes atualmente, e o que eles (as) contam sobre suas vivências no contexto social no qual estão inseridos. São adolescentes de 18 e 19 anos, que frequentam o ensino médio noturno de uma escola pública localizada no centro da cidade de Santo André (SP Brasil). Busquei articular as questões de gênero e sexualidade para obter uma melhor compreensão do contexto a partir dos quais os (as) adolescentes elaboram sua visão de mundo. Compreender melhor em que circunstâncias tomaram certas atitudes e, longe de verificar sob um ponto de vista especulativo, a idéia foi observar na interação entre fatos e explicações, os valores e as formas de se relacionarem sexualmente.

Como estratégia desenvolvi a escuta a partir da narrativa sobre minha experiência no processo de iniciação sexual na fase adolescente, em meados da década de 1980, o que serviu como ponto de partida para a mediação do diálogo nos grupos focais. Portanto, a fala dos (as) adolescentes nessa pesquisa qualitativa, constituiu o objeto central de interesse. Foi possível verificar que falar de sexualidade está se tornando menos constrangedor, mas faltam diálogos mais abertos, sem hipocrisia, e que questionem as imposições das igrejas. A sociedade de modo geral, não reconhece que a sexualidade é parte do desenvolvimento e das relações entre os (as) adolescentes. Os conceitos de amor, sentimentos, emoções, intimidade e desejo não se incluem nas intervenções dos serviços de saúde e educação.

A realidade se revelou e nela verificam-se novos desafios, bem como velhos padrões socioculturais. Adolescentes não são reconhecidos socialmente como pessoas sexuadas, livres e autônomas, o que os submetem às situações de constrangimento e vulnerabilidade. É preciso superar a moralidade que impede toda a rede social de adotar uma ampla e aberta discussão sobre assuntos que envolvem a sexualidade. Só assim é possível garantir os direitos sexuais e reprodutivos na adolescência, que implica a decisão livre e com responsabilidade, sobre a reprodução, o acesso à informação adequada e o direito de exercer sem discriminação ou coerção a sexualidade.

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