Núcleo de estudos da mulher e relações sociais de gênero (Nemge) – USP

O Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais  de Gênero (Nemge-USP) tem como diretriz pesquisas e cursos visando superar todas as formas de discriminação, especialmente contra a mulher. Desta forma, estudamos a problemática da condição feminina, com ênfase na realidade brasileira, propiciamos a docentes, pesquisadores e estudantes a oportunidade de realizar suas investigações sobre relações sociais de gênero e divulgamos os resultados de trabalhos e pesquisas sobre a mulher e a questão da inequidade de gênero. É coordenado pelas professoras Eva Alterman Blay e Lia Freitas Garcia Fukui.

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Dragões: gênero, corpo, trabalho e violência na formação da identidade entre travestis de baixa renda

Tese de doutorado de Marcos Roberto Vieira Garcia
Instituição: Universidade de São Paulo

Resumo:

O presente estudo se iniciou a partir de uma intervenção de cerca de quatro anos, na área da promoção de saúde, voltada a um grupo de travestis de baixa renda, que realizava encontros em uma instituição pública na região central de São Paulo. O método de pesquisa utilizado foi o da observação participante ativa, priorizando-se o caráter interativo e dialógico na obtenção dos dados. Buscou-se investigar a constituição da identidade social entre as referidas travestis, pela descrição e análise de quatro eixos fundamentais para o entendimento de seu universo – gênero, corpo, trabalho e violência – na perspectiva de transcender o privilégio dado à categoria gênero nos estudos existentes sobre travestis.

Procurou-se submeter cada um destes eixos a uma análise social ampliada e referida à realidade brasileira. A partir de uma abordagem critica à categoria “identidade”, foi proposto o entendimento desta, em relação ao grupo estudado, como uma “colcha de retalhos” (“patchwork”), formada a partir da assimilação de fragmentos de diferentes identidade sociais presentes em nossa sociedade. Considerou-se que as principais identidades incorporadas pelas travestis estudadas foram as da “mulher submissa”, da “puta” e da “mulher super-sedutora”, no campo da feminilidade e as do “viado”, do “malandro” e do “bandido”, no campo da masculinidade.

A “identidade travesti” resultante mostrou não apenas a ambiguidade masculino/feminina, mas também contradições e tensões entre as próprias identidades femininas – e masculinas – incorporadas.

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